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132 anos de fundação da Igreja Metodista em Bento Gonçalves

Nosso atual Pastor, Rev. Roberto Montana Pirez fala com propriedade que nasceu no País, cuja Igreja Metodista Episcopal do Sul, no Uruguai, enviou para a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul o Dr. João da Costa Correa, que fez sua primeira viagem de colportagem (venda de Bíblias e literatura religiosa) em 1875.

Dez anos depois, passa a residir na Capital e inicia a primeira comunidade metodista gaúcha, a Igreja Metodista Central em Porto Alegre, atual Catedral.
Pastor Roberto enriquece sua narrativa lembrando que junto com a família do Rev. Correa veio a jovem Carmem Chacon, pioneira na educação metodista naquela Cidade!

No livro de registro de batismos desta Igreja, o historiador Vicente Dalla Chiesa encontrou que o Rev. Correa esteve na então Colônia Dona Isabel (Bento Gonçalves) em abril de 1887, onde efetuou o batismo de quatro crianças das famílias Marcon e Baccin, podendo considerar esta visita como o início da atividade religiosa metodista entre os imigrantes italianos, que começaram a chegar na Região Colonial Italiana do Nordeste Gaúcho a partir de 1875. Muitos deles já haviam conhecido a fé evangélica na sua Pátria, em contato com os Valdenses.

Outros, por relações de amizade ou compadrio, fizeram na travessia de navio para a nova Terra ou quando do seu estabelecimento nas demais Colônias, a saber, Conde D'Eu ( Garibaldi), Nova Palmira ( Caxias do Sul), Alfredo Chaves (Veranópolis) e Forqueta Baixa ou Forqueta do Caí, Linha Bonita (Gramado), seguidos de Carlos Barbosa, Guaporé e Farroupilha.

O trabalho Metodista nesta Região recebe, vindos de Montevidéu, dois Pastores italianos, por conta de sua origem, tendo em vista que a língua materna era usada muito usada. Bento Gonçalves passa a ser pastoreada pelo Rev.Carlos Lazzare, em 1888 e tem sua fundação marcada pela recepção de 43 membros, em data de 27 de março de 1889, com a presença do Rev. João da Costa Correa.

Em Bento Gonçalves, durante os primeiros tempos, reuniam-se nas próprias casas; depois, num "acanhado salão de outrora", conforme relato do Rev. João Vollmer, publicado no jornal O Testemunho, quando relatava sua visita há dezesseis anos antes, quando estivera por aqui em companhia do Rev.Correa. Posteriormente, acontece a aquisição de terreno e a construção do atual prédio, resultado do trabalho árduo de sua membresia.

Restava uma dúvida então: quando efetivamente foi inaugurado este Templo?
De acordo com a pesquisa feita pelo historiador Vicente Dalla Chiesa, em arquivos na Igreja Metodista do Uruguai (Atas da sétima reunião da Conferência Anual Sul-Americana, 1899), encontra-se carta datada de dezembro de 1898, escrita pelo Rev. Matteo Donatti, que veio para cá em maio deste ano, tendo trocado com Rev. Carlos Lazzare, que foi para Forqueta, com o seguinte teor:

" Em Bento Gonçalves estamos nos preparando para dar uma festa infantil. Os meninos e meninas da escola dominical estão preparados para recitar diálogos, sermõezinhos e hinos; teremos uma árvore de Natal, a primeira que nossas crianças terão o prazer de ver. Entraremos pela primeira vez no templo. As meninas estão ocupadas em cortar papéis para formar bandeirinhas, flores e objetos de iluminação."

Portanto, o atual templo, que ostenta traços da arquitetura de imigração italiana,(tendo esculpidos nos seus degraus de pedra, num lado um sol e noutro três peixes, símbolos do Cristianismo) permanece como testemunho de uma época, no final do século XIX, em que das cinco localidades de atuação Metodista no Rio Grande do Sul, quatro estavam situadas na região colonial italiana.

Algumas curiosidades:
1. A primeira Igreja Metodista construída no nosso Estado foi a de Alfredo Chaves, hoje Veranópolis, em 1891, já demolida. A segunda, um Templo adquirido da Igreja Católica, em Forqueta, em 1892, que já não existe em função do êxodo rural; a terceira, na Colônia Dona Isabel, que ainda "está de pé" e quase a de Garibaldi, no começo do século XX. No atual Distrito da Serra, seguem-se os Templos de Caxias do Sul, em 1922, de Gramado, em 1932 e de Garibaldi, em 1962.

2. O início do Metodismo na Região Colonial Italiana do Nordeste Gaúcho ocorreu ainda no período em que o Imperador era Dom Pedro II e que tanto o Brasil quanto a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul tinham como oficial a religião Católica. Do Art.5° constava: " A religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico, ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo."

3. A fundação da Igreja Metodista em Bento Gonçalves ocorreu ainda no regime da monarquia constitucional parlamentarista, em 27 de março de 1889, antes da Proclamação da República, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em 15 de novembro de 1889.

4. Nas Igrejas desta Região, de 1887 até os primeiros anos do Século XX, havia o uso quase que esclusivo do italiano nos Cultos, tendo havido bilinguismo até fins da década de 1910. Um dos motivos da escolha de Carlos Lazzarè e Mateus Donatti, que não tinham formação teológica foi, em dúvida, o aspecto linguístico, os quais haviam imigrado para Montevidéu, vindos da Itália.

5. Na primeira comunidade metodista da Região Colonial Italiana há o registro, num Relatório publicado nos Estados Unidos, referente ao ano de 1892, com 25 alunos; depois, em meados de 1920 haverá novamente uma escola Metodista em Bento Gonçalves, alcançando 36 alunos em 1926. Depois de um hiato, em 1930-1931, há dados sobre uma nova escola, que funcionava no próprio templo e que, não obstante as dificuldades, já tinham 20 alunos. Em trecho do livro tombo da Paróquia Santo Antônio, o pároco romano Antônio Zatera informa ter interferido, inclusive do púlpito, em disputa entre dois grupos rivais da cidade na segunda metade da década de 1930, em contenda sobre a instalação de um colégio secundário, diante do grave perigo de este ser administrado por Metodistas.

6. Houve Escolas Paroquiais também em Caxias do Sul (24/02/1918), em Forqueta (1922), em Nova Vicenza (Farroupilha)(1923), em Garibaldi(Colégio Rio Grande, primário e secundário)(01/01/1923) e  em Gramado (1925).  Dalla Chiesa faz a seguinte observação: " Na década de 1920, na Região Colonial Italiana, o contexto educacional se alterou, pois estes educandários precisaram se defrontar com a concorrência de uma rede já significativa de escolas confessionais católicas, além de um ensino público em expansão e gratuito."
7. Queima de Bíblias
Foram proibidas as Bíblias dos Metodistas, Evangélicos ou Sociedades Bíblicas, era um exigência da Igreja Católica de então, para evitar que aos fiéis sejam entregues traduções mal feitas, truncadas, falsificadas. Numa entrevista dada por Nilza Covolo Kratz para um trabalho de pesquisa oral, ela conta que um Irmão da Igreja, seu vizinho, Sr. Idalicio Silva, lhe entregou um exemplar do Novo Testamento, queimado quase que em sua totalidade, retirado de um monte de livros que estavam sendo queimados na frente da igreja católica do Bairro São Roque, tendo visto isso na sua ida para o trabalho e o pegou na volta, retirando-o das cinzas. Há depoimentos semelhantes na Cidade de Caxias do Sul e em Garibaldi, onde uma Bíblia foi jogada no forno em que a esposa de Domenico Covolo estava assando pães.

8. Apedrejamento de Igrejas
Marieta Silva Cislaghi, também em relato oral, conta que estava chegando na Igreja Metodista em Bento Gonçalves, quando sentiu as pedras voando e batendo na parede...tendo apressado seus filhos para entrar no Templo.

9. Diabo atrás da porta da Igreja
Há vários relatos sobre esta ideia difundida nas cidades de nossa Região, exortando as pessoas a passarem longe dos templos protestantes e a não entrarem neles.

10. Casamentos entre pessoas Metodistas e Católicas:
Não era comum, porém havia permissões e até cerimônias matrimoniais que aconteceram no mesmo dia, primeiro numa Igreja e depois na outra. Porém, o mais comum era a proibição, só sendo realizado se o noivo ou a noiva se batizassem na Igreja Católica.

11. Nossa Igreja fez parte de um Calendário "Os Templos e o Tempo", com outras Igrejas Católicas, da Imigração Italiana.

12. Em 17 de agosto de 2019, fomos o tema do "Café com Memória", organizado pela Associação Amigos do Museu do Imigrante e  no final deste mesmo ano, fizemos uma Exposição da nossa história e objetos históricos que temos, tendo permanecido por três meses e recebido muitas visitações.
13. O Templo da Igreja Metodista em Bento Gonçalves foi tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do Município, em 13 de abril de 2000, pelo Prefeito Darci Pozza. A partir de então, fomos incorporados no Mapa Turístico da Cidade e atualmente fazemos parte do Projeto Laços Patrimoniais, que está construindo um inventário colaborativo, buscando construir a nossa história através das construções antigas e de suas comunidades.

14. Temos o privilégio de ter sido a primeira Igreja em que nosso Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa pastoreou, quando egresso da Faculdade de Teologia e aqui em Bento Gonçalves, ao lado da Esposa Lia Hack da Rosa, tiveram suas Filhas Eunice e Raquel.

Haveria muito mais para contar, pois são 132 anos de fundação da Igreja Metodista em Bento Gonçalves, mas deixaremos para que elas possam surgir em nossas conversas, hoje virtuais, futuramente acompanhadas de uma roda de chimarrão, que une nossos corações.

  "Ebenézer: Até aqui nos ajudou o Senhor".




INFORMATIVO EPISCOPAL Jul/2017

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