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Doutrina do Novo Nascimento






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Introdução

Por que terá Jesus se admirado de que Nicodemos, o mestre israelita que o visitou à noite, não entendesse sua declaração de que lhe era necessário nascer de novo?

A princípio fica difícil entender a admiração de Jesus diante deste fato, uma vez que julgamos ser a expressão peculiar aos lábios do Senhor, não tendo Nicodemos o mesmo dever de entendê-la profundamente.

João Wesley, entretanto nos ajuda a compreender a admiração de Jesus ao nos informar que a expressão "nascer de novo" era corrente em Israel. Quando um gentio se convertia à fé judaica, antes mesmo de ser submetido ao ato de circuncisão, era batizado como sinal de sua morte para o paganismo e de sua adoção na família de Deus. Diziam-lhe então que ele nascera de novo, passando a viver uma nova vida na comunidade de Israel. Daí a admiração de Jesus. Porque Nicodemos, sendo um mestre em Israel, deveria entender destas coisas. Mas aí também estava a razão do espanto: admiração e confissão de ignorância por parte de Nicodemos. Afinal de contas ele era judeu, circuncidado desde os oito dias de nascido, trazendo no corpo as marcas da fidelidade a Javé. Por que lhe dizia Jesus ser-lhe também necessário nascer de novo?

1 - TEXTOS BÍBLICOS

• Jo 1:12-13 - O texto explica que todas as pessoas que crêem em Cristo passam a ser filhos de Deus porque essa é a vontade do Pai. O poder de sermos filhos de Deus depende então de crermos em Cristo e aceitar a vontade de Deus para nós.

• Jo 3:15 - Jesus explica a Nicodemos o que significa nascer de novo: a transformação do íntimo do ser humano pela ação do Espírito Santo. Para Nicodemos, que pensava em coisas concretas e visíveis, era difícil compreender o que Jesus lhe ensinava.

• I Pe 1:22-23 - Em várias ocasiões, como na Parábola do Semeador, Jesus compara sua Palavra com a semente. Neste texto Pedro retoma essa figura dizendo que a Palavra é como a semente que não morre jamais e é por ela que somos regenerados e modificados. E nesta condição estamos aptos a sermos obedientes a Deus e cheios de amor uns para com os outros.

• I Jo 3:9 - Se realmente somos filhos de Deus, não temos prazer em praticar o pecado, pois em nós está a Palavra de Deus que nos faz repudiar o pecado. Novamente a Palavra é comparada à divina semente.

• I Jo 5:3-4 - Se somos nascidos de novo para Deus temos algo a nosso lado para vencer os pecados e guardar os mandamentos de Deus: a fé.

2 - O NOVO NASCIMENTO: IMPORTANTE E MISTERIOSO

Wesley compreendeu a tremenda importância que Jesus dava ao novo nascimento ou regeneração individual. Para o fundador do Metodismo esta era a segunda doutrina fundamental do cristianismo. Uma condição indispensável para a salvação.

O novo nascimento não era algo que se dava antes da justificação (que examinamos na lição anterior) nem posterior a ela. Ao contrário. No mesmo momento em que uma pessoa era justificada de seus pecados por meio da fé no sacrifício de Cristo, sinal definitivo da graça de Deus, esta mesma graça operava em seu coração o novo nascimento, a regeneração de sua vida, sendo a pessoa mudada realmente em nova criatura.

Misteriosa como fosse a explicação que Jesus deu a respeito da maneira que se dava o novo nascimento e por que processos de mudança passava a pessoa para ser transformada assim, o fato permanecia, embora não se pudesse esclarecer como ocorria.

Wesley nunca teve a pretenção desse esclarecimento: "Não que devamos esperar por alguma explanação minuciosa, filosófica, acerca da maneira por que isso se faz. Nosso Senhor suficientemente nos previne contra semelhante expectativa... Podes estar tão certo do fato, como o soprar do vento; mas o modo preciso por que isso se faz, como o Espírito opera na alma, nem tu, nem o mais sábio dos filhos dos homens será capaz de explicar."

3 - A NATUREZA DO NOVO NASCIMENTO

Para explicar o que realmente resulta donovo nascimento na vida do ser humano que é justificado pela fé em Cristo e transformado pelo Espírito Santo, Wesley lança mão dos fatos que marcam o nascimento natural, duas realidades que possuem grande analogia entre si.

Uma criança no ventre de sua mãe tem olhos mas não vê,, tem ouvidos mas não ouve. O uso de seus outros sentidos não se desenvolveu ainda, ela não tem conhecimento algum do que se passa no mundo exterior e nem tem compreensão alguma a respeito de qualquer coisa. Não podemos dizer que a criança do ventre de sua mãe esteja realmente vivendo. É somente quando ela surge para o mundo, quando nasce, que realmente começa a viver. Agora começa a experimentar uma porção de coisas diferentes das que conhecia. Agora a criança respira. Dentro em pouco os seus sentidos estarão plenamente desenvolvidos e capazes de captar os sinais do mundo em que agora vive.

"Como o paralelo se verifica em todos esses exemplos. Enquanto o homem se encontra no estado meramente natural, antes que seja nascido de Deus, possui, em sentido espiritual, olhos e não vê... possui ouvidos mas não ouve... Seus demais sentidos espirituais estão anulados e é o mesmo que não os tivesse... Daí não ter conhecimento de Deus, nenhum contato com Ele: o homem natural não se relaciona com Deus de modo nenhum... Logo, porém, que é nascido de Deus há uma total mudança em todos aqueles pormenores. Os "olhos do seu entendimento são abertos"... ele vê a luz da glória de Deus..."na face de Cristo". Seus ouvidos, sendo abertos, é agora capaz de ouvir a voz interior de Deus dizendo: "tem bom ânimo; teus pecados estão perdoados."

O novo nascimento é, portanto, a transformação que Deus opera na alma, quando, pelo seu Espírito, regenera a criatura humana, modificando o seu centro de referência, não vivendo mais a pessoa para si mesma, mas para Deus. Caminhando para sua santificação, que se inicia realmente com este acontecimento, como veremos posteriormente nesta unidade de estudos.

Como dissemos, João Wesley afirma que "a justificação do cristão e seu novo nascimento ocorrem simultaneamente. E é fácil entender por que motivo ele faz esta afirmação. O fato é que a justificação do ser humano pecador, que é realizada por Deus por sua graça gratuita e que não leva em conta os méritos do pecador, não fosse acompanhada por um ato de purificação realizado no ser humano e isto simultaneamente, seguir-se-á que descobriríamos a graça de Deus operando em um patente desafio à própria justiça divina, uma vez que Deus estaria perdoando ao pecador e ao mesmo tempo permitindo que ele continuasse no pecado. A justificação não é uma mera desculpa paternal dos pecados humanos. Se Deus perdoa o pecado, Ele ao mesmo tempo purifica o pecador, a pecadora.

4 - O NOVO NASCIMENTO E O BATISMO

Wesley mantendo como um dos artigos de religião o que diz ser o batismo (além de um sinal de profissão de fé e de diferenciação entre os pagãos) "um sinal de regeneração ou de novo nascimento", é obrigado a definir melhor o que isto realmente significa. Em sua mente, nenhum relacionamento necessário havia entre o sacramento e a regeneração. Wesley repudiava a idéia de que os que haviam sido batizados haviam necessariamente nascidos também de novo.

Wesley não pretendia rejeitar o ensino da Igreja Anglicana (dentro da qual surge o movimento metodista) de que o batismo infantil era simultâneo com o novo nascimento nas próprias crianças. Mas ele simplesmente recebe esta posição sem comentá-la. Em lugar algum ele a defende como parte integrante de sua posição doutrinária. Ao contrário, se a criança que foi batizada, não mostrar em sua vida os sinais do novo nascimento, o seu batismo de nada valeu: "O batismo é o sinal exterior desta graça interior, que nossa igreja supõe (note-se a expressão) ser dada com e através deste sinal a todas as crianças e a todos aqueles adultos que se arrependerem e crerem no Evangelho. Mas quão extremamente fúteis são as discussões comuns a respeito disto! Eu digo a um pecador: 'você precisa nascer de novo'. 'Não', dizes tu, 'ele já foi nascido de novo no batismo. Portanto não pode nascer de novo agora'. Mas, oh! Quão trivial é isto! Que importa se ele era então um filho de Deus? Ele é manifestamente um filho do diabo; faz as obras do seu pai. Não brinquemos com questões de termos. Esse "ele" precisa passar por uma mudança total em seu coração. Em alguém que não foi batizado tu mesmo chamaria a esta mudança de novo nascimento. Em relação a "ele", dá-lhe o nome que quiseres; mas lembra-te agora, que se ele ou tu mesmo morrer sem isto, o vosso batismo não somente não vos beneficiará de modo algum como, ao contrário, aumentará ainda mais a vossa condenação".

É verdade que algumas vezes Wesley não foi muito claro em sua exposição a respeito do batismo. Em um tratado sobre o batismo ele usa parte de um livro escrito por seu pai, na qual chega mesmo a admitir que o Batismo é simultâneo à regeneração. No volume total de suas obras, porém, de acordo com as linhas básicas de sua teologia, Wesley tinha por certo o fato de que o batismo não tem necessariamente esta simultaneidade: "...é certo que todos os que são batizados em idade adulta não são ao mesmo tempo nascidos de novo. 'A árvore é conhecida por seus frutos'. E destes resulta, demasiadamente claro para ser negado, que vários que eram filhos do diabo antes de serem batizados, continuaram na mesma condição depois do batismo..."

A regeneração ou novo nascimento, portanto, nada tem a ver com os sinais externos, sejam eles o batismo ou quaisquer outras formas com que se pretenda demonstrar a sua realidade. Ao contrário, ela se revela antes por uma vida transformada, em decorrência da qual o cristão, homem ou mulher, torna-se centralizado em Deus, vivendo em amor e vitória constante.

Bibliografia:

1 - Sermões de Wesley, Vol II (pg 387, 388,389,394)
2 - The Teology of Wesley, W.R.Cannon




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